domingo, 18 de julho de 2010

O ETERNO DESCONTENTE

Um homem descontente com a sorte queixava-se de Deus.

_ Deus _ dizia ele _ dá aos outros as riquezas e a mim dá coisa alguma. Como é que eu hei de poder fazer o meu caminho nesta vida, sem nada possuir?

Um velho ouviu estas palavras e disse-lhes:

_ Acaso és tu tão pobre quanto dizes? Deus não te deu, porventura, saúde e mocidade?

_ Não digo que não e até me orgulho bastante da minha força e do verdor dos meus anos.

O velho então, pegou na mão direita do homem e perguntou - lhe:

_ Deixa cortar-te essa mão por mil rublos?

_ Nem por doze mil!

_ E a esquerda?

_ Também não!

_ E por dez mil rublos consentirias em ficar cego por toda a vida?

_ Nem um olho dava por tal dinheiro!

_ Vês _ observou o velho _ que riqueza Deus te deu e tu ainda te queixas?


DINHEIRO

O dinheiro não é luz, mas sustenta a lâmpada.

Não é a paz, no entanto, é um companheiro para que se possa obtê-la.

Não é calor, contudo, adquire agasalho.

Não é o poder da fé, mas alimenta a esperança.

Não é amor, entretanto, é capaz de erguer-se por valioso ingrediente na proteção afetiva.

Não é tijolo de construção, todavia, assegura as atividades que garantem o progresso.

Não é cultura, mas apóia o livro.

Não é visão, contudo, ampara o encontro de instrumentos que ampliam capacidade dos olhos.

Não é base da cura, no entanto, favorece a aquisição do remédio.

Em suma, o dinheiro associado a consciência tranqüila, alavanca do trabalho e fonte da beneficência, apoio da educação e alicerce da alegria, é uma bênção do Céu que, de modo imediato, nem sempre faz felicidade, mas sempre faz falta.

BEZERRA DE MENEZES


Posições

Há longo, longo tempo, compareceram no Tribunal Divino dois homens recém-chegados da Terra.

Um trazia o sinal da muleta em que se apoiara.

Outro mostrava as marcas da coroa que havia adornado a cabeça.

Fariam provas de humildade para voltarem ao mundo ou seguirem além...

Postos, um a um, na balança, o primeiro acusou enorme peso. Era ainda presa fácil de lutas inferiores, parecendo balão cativo.

O segundo, no entanto, revelava grande leveza. Poderia viajar em demanda dos cimos.

Inconformado, contudo, disse o primeiro:

- Onde a justiça divina? Fui mendigo paupérrimo, enquanto ele...

E indicando o outro:

- Enquanto ele era rei... Passei fome, ao passo que muita vez o vi no banquete lauto. Esmolava na rua, avistando-o na carruagem. Conheci a nudez, reparando-o sob manto dourado, quando seguia em triunfo...Vivi entre os últimos, ao passo que ele sempre aparecia como o primeiro entre os primeiros...

O outro baixou a cabeça, humilhado, em silêncio...

Mas o amigo sereno, que representava o senhor, falou persuasivo:

- Viste-o na mesa farta, mas não lhe percebeste os sacrifícios ao comer por obrigação. Notaste-o de carro; entretanto, não lhe observaste o coração agonizando de dor, ante os problemas dos súbitos a que devia assistência. Fitaste-o sob manto dourado, nos dias de júbilo popular; todavia, não lhe contemplaste as chagas de sofrimento moral, diante das questões insolúveis...

Conheceste-o entre os maiorais da Terra; entretanto, não sabes quantos punhais de hipocrisia e de ingratidão trazia cravados no peito, embora fosse obrigado a sorrir...

Além disso, na posição de soberano, podia ferir e não feriu, humilhar e não humilhou a ninguém, prejudicar e não prejudicou, desertar e não desertou... Na situação de mendigo, não foste lançado a semelhantes problemas da tentação...

Diante do companheiro triste, o ex-monarca recebeu passaporte para a ascensão sublime.

Sozinho e em lágrimas, perguntou, então, o ex-mendigo:

- E agora ?

O ministro angélico abraçou-o, sensibilizado, e informou:

- Agora, renascerás na Terra e serás também rei.


HOJE

Experimenta, hoje, colocar em ação o amor que trazes na alma.

Perto de ti, ou mais além, caminham corações em busca de paz.

Muitos ocultam as próprias dores, vertendo a sós as lágrimas do sofrimento.

Outros se perderam em labirintos que estabeleceram por si mesmos.

Uma palavra que digas, um gesto que faças; uma prece que direciones ao Alto, poderá auxiliá-los na conquista do equilíbrio.

Começa hoje, canalizando os recursos com que a vida te favoreceu, socorrendo e consolando, reerguendo e apoiando.

Amanhã, talvez lamentes as horas perdidas
com as bagatelas da existência material, quando poderias converter-te no irmão de caminhada, auxiliando os caídos do caminho, rumo à plenitude espiritual.

Cinco lembretes anti-suicídio...

1. A vida não se acaba com a morte. A morte não significa o fim da vida, mas somente uma passagem para outra vida: a espiritual.

2. Os problemas não se acabam com a morte. Elas são provas ou expiações. que nos possibilitam a e, evolução espiritual, quando os enfrentamos com coragem e serenidade. Quem acredita estar escapando dos problemas pela porta do suicídio está somente adiando a sua solução.

3. O sofrimento não se acaba com a morte. O suicídio só faz aumentar o sofrimento. Os Espíritos de suicidas que puderam se comunicar conosco descrevem as dores terríveis que tiveram de sofrer, ao adentrar o Mundo Espiritual, devido ao rompimento abrupto dos liames entre o Espírito e o corpo. Para
alguns suicidas, o desligamento é tão difícil, que eles chegam a sentir seu corpo se decompondo. Além disso, há o remorso por ter transgredido gravemente a lei de Deus, perante a qual suicidar-se equivale a cometer um assassinato.

4. A morte não apaga nossas faltas. A responsabilidade pelas faltas cometidas é inevitável e intransferível. Elas permanecem em nossas consciências até que a reparemos.

5. A Doutrina Espírita propicia esperança consolação quando oferece a certeza da continuidade infinita da vida, que é tanto mais feliz quanto melhor suportamos as provas do presente.

RITA FOELKER

LIVRO: "PALAVRAS SIMPLES, VERDADES PROFUNDAS"

O QUE MAIS SOFREMOS

O que mais sofremos no mundo - Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.

Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.

Não é a doença. É o pavor de recebê-la.

Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.

Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.

Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo.

Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.

Não é a injúria. É o orgulho ferido.

Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.

Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.

Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflição que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.



ALBINO TEIXEIRA


PRECE DE CÁRITAS


Deus, nosso Pai, que tendes poder e bondade, dai força àquele que passa pela provação, dai luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus, dai ao viajor a estrela guia; ao aflito a consolação; ao doente, o repouso.

Pai, dai ao culpado o arrependimento; ao espírito a verdade; à criança, o guia; ao órfão, o pai.

Senhor, que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.

Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece; esperança para aquele que sofre. Que a vossa bondade permita aos Espíritos Consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.

Deus, um raio de luz, uma centelha do vosso amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão; um só coração, um só pensamento, subirão até vós, como um grito de reconhecimento e amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh! poder, oh! bondade, oh! beleza, oh! perfeição, e queremos de algum modo alcançar a vossa misericórdia.

Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso, a fim de subirmos até vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão, dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se deve refletir a vossa imagem.

Psicografada na noite de 25 de dezembro de 1873

pela médium Madame W. Krill, num círculo espírita de Bordeaux, França.